
Criadores do agreste de Alagoas estão sofrendo com os constantes ataques dos carcarás. A ave, típica do Nordeste, não escolhe muito a presa na hora de se alimentar.
O criador Manoel Francisco Filho cuida de uma fazenda de criação de gado no município de Craíbas, a 140 quilômetros de Maceió. A fazenda tem um rebanho de 600 cabeças.
A maior preocupação do criador hoje é com os bezerros. Dos 40 animais nascidos há um mês quatro estão com ferimentos na região do umbigo provocados pelo ataque de uma ave de rapina muito conhecida entre os nordestinos.
De longe, parecem urubus. Mas as penas brancas nas extremidades das asas e na altura do pescoço não deixam dúvidas: são carcarás. Centenas dessas aves invadiram a fazenda. Elas passam o dia sobrevoando o lugar. Às vezes, pousam no chão à procura de alimento.
O carcará é considerado um predador em potencial. Por isso, a presença das aves causa tanta preocupação.
Chegar perto delas não é tarefa fácil. Os carcarás se alimentam de outras aves, como pintos e galinhas, e minhocas, insetos, roedores e pequenos mamíferos. No caso dos bezerros, o pouco tempo de vida dos animas e a falta de instinto de defesa também os torna presas fáceis dos carcarás. Mas seu Manoel Francisco contou que nem o pasto escapou da gula das aves.
Os carcarás são começaram a aparecer em maior quantidade há três meses, desde quando as terras começaram a ser preparadas para o replantio de capim.
“Como são predadores generalistas e oportunistas, eles se utilizam disso para adquirirem o alimento. Por isso, tem sido próximo de onde está acontecendo a aragem do solo”, esclareceu a bióloga Suélen Tavares.
O carcará é uma ave nativa do Brasil e protegida pelas leis ambientais. A caça da espécie é considerada crime.
Fonte : Globo Rural




